“Vinhos de Portugal” no Rio, 2016.

Com um certo atraso, aqui vai minha modesta seleção: só 3 vinhos, dentre os mais de 20 que degustei! Explico: este ano, por alguma falha no sistema, ou na recepcionista que anotou o meu e-mail, não recebi o registro dos vinhos que experimentei, através da taça inteligente. Então, estes foram os que eu fotografei, pela particularidade das respectivas Adegas, cada qual a seu modo, e pelo inusitado em cada vinho – o impacto na boca! Afinal, num evento assim, a gente quer ser surpreendido!
Aliás, o melhor do “Vinhos de Portugal” – organizado pelos jornais O Globo e Público – é justamente trocar ideias com os produtores regionais e experimentar os vinhos que ainda não chegaram aqui no Brasil. Por isso, em geral, – e por termos só 2h de degustação – passo ao largo da Bacalhoa, da Sogrape, da José Maria Fonseca (com muita pena, claro!) e vou direto aos “desconhecidos”, pelo menos de cá, do outro lado do Atlântico. Abaixo, alguns deles.
No final desse post – já que o tema é Portugal e lá está a grande parte de minha família, a maioria também metida a fazer vinhos – aproveito para registrar algumas fotos quando estive no Douro na época das vindimas, há uns 20 anos atrás – exatamente quando estavam substituindo a pisa artesanal pela pisa mecânica. Depois voltei outras vezes, mas nunca mais nesse período do ano, que é lindo, com as plantações de videiras em degraus, que vão dos tons violáceos aos alaranjados!
QuintaMarias
Quinta das Marias Reserva, 2012, tinto.
Nessa Adega, que dá nome ao vinho, todos os vinhos são fabricados com a pisa das uvas (sim, com o pé mesmo!). Fica localizada no Dao DOC. E mais: as garrafas são numeradas, como pode se ver no rótulo. Ou seja, todos os vinhos são produzidos em pequena escala e controle rigoroso.
Esse Cuvée TT é estruturado e diferenciado: 50% Touriga Nacional, 50% Tinta Roriz, 12 meses no carvalho francês, 13.8% álcool. Encorpado, sente-se madeira e algo floral.
MonteCascas

Monte Cascas Reserva, 2012, branco.

A Casca Wines é um projeto de enólogos que trabalham com produtores de vinhos de várias regiões. Todos os Monte Cascas são vinhos seguros, sem erro! Esse é do Minho, Regional, um branco denso, na boca pêssego e abacaxi, mineral, 12 meses no carvalho francês… Castas: 90% de Arinto e 10% Alvarinho, um vinho de personalidade, com final persistente.

AdegaPalmela

Adega de Palmela Reserva, 2009, tinto.

Da Adega Cooperativa de Palmela, localizada na Península de Setúbal, DO.
Castas: Castelão, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, 14 % álcool. Permanece 8 meses em barrica de carvalho francês e americano.
Frutas vermelhas, algo de especiarias, macio. Muito bom!
Também gostei muito do espumante de moscatel deles, mas infelizmente não fotografei a garrafa e não me lembro do ano e das uvas.
Agora vamos às fotos no Douro, vindima de 1996:
– Uma pisa que presenciei, num lagar (de cimento), na Quinta do Noval. Essa pisa foi muito animada porque pude conversar com os camponeses e eles estavam sendo substituídos pela pisa mecânica, trazida principalmente pelos ingleses, franceses e canadenses. Eles debochavam muito dessa tecnologia, chamavam de “robô” e desconfiavam do resultado do vinho sem o contato da pele na pisa – diziam que isso iria alterar a acidez do vinho etc. etc. Eles ficavam na pisa 15 dias seguidos, se alternando em 2 turnos, dia e noite. À noite tocavam sanfonas e cantavam. Suas pernas ficavam manchadas, na cor vinho, claro, e só saía depois de alguns banhos quando acabava o período da vindima, diziam.
Lagar1996_QNoval LAgar1996_QNoval_3
tiaMatilde_eu_dorna.jpg tioQuim_carrinha_logoJP.jpg
– Amassando uvas com minha tia Matilde numa prensa manual, em Anquião, nos arredores de Mesão Frio, que eles chamam “dorna” (uma espécie de lagar, pequeno, de madeira).
– Tio Quim, irmão de meu pai, que fornecia uvas para a Adega Cooperativa de Mesão Frio – mas fabricava em sua propriedade um vinho do Porto espetacular e um branco, de mesa, para consumo interno: família, amigos e cia. Ele está ao lado da “carrinha” com as iniciais do seu nome: Joaquim Portela.
E viva o Douro, viva Portugal!

 

2 comentários sobre ““Vinhos de Portugal” no Rio, 2016.

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