Sobre vinhos e dinossauros

Esta é a entrada da primeira bodega que visitamos na Patagônia, a Familia Schroeder, em San Patricio del Chañar, província de Neuquén:

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“O que tem a ver vinhos com dinossauros?”, todos pensaram. Bom, acontece que durante as obras para construir a bodega, operários se depararam com fósseis de um titanossauro gigantesco que há milhões de anos vivia nestas terras. Por isso uma réplica nos recebe na entrada, e também os nomes das linhas Saurus e Saurus Select. Eu amo estas curiosidades, por trás de um vinho sempre tem alguma boa história para se contar.

Pois bem, o interior da bodega também surpreende, já que seus cinco módulos – recepção, prensado, fermentação, conservação, guarda – estão organizados em sistema gravitacional com altura de 22m. O primeiro módulo começa no andar de cima e depois o mosto vai “caindo” até chegar à cava, de modo que a queda livre evita o contato do vinho com o oxigênio, garantindo melhor qualidade enológica no produto final. Vamos às fotos:

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O interior da bodega

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O enólogo Mariano nos serve direto do tanque o premiado Saurus Select Malbec 2014.

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A bodega tem 600 barricas, 60% francesas e 40% americanas.

Sobre os vinhos: degustamos o Saurus Chardonnay, Saurus Select Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Malbec, Merlot, Cabernet Sauvignon, Saurus Barrel Fermented Malbec, Família Schroeder Blend de Pinot Noir e Malbec, e os espumantes Rosa de los Vientos e Deseado.

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Na sala de degustação

Os brancos, jovens, me interessaram muito. O Chardonnay, com os típicos aromas frutados, apresentou untuosidade em boca que contrastava com sua acidez crispy, aquela que no ataque gera a sensação de leves cosquinhas de gás carbônico. O Sauvignon Blanc se mostrou igualmente elegante, com sutis camadas aromáticas, fruto de duas diferentes colheitas, portanto dois diferentes graus de madurez. O Mariano nos explicou que quando possível, fazem três colheitas desta casta: a primeira traz os aromas a ervas como a arruda. A segunda, notas cítricas de maracujá, pomelo rosado. Já a terceira, que nem sempre o clima permite, como foi o caso deste ano, aporta notas aromáticas mais tropicais.

É claro que o Pinot Noir não poderia faltar, já que é a grande estrela patagônica ao adaptarse perfeitamente às condições geográficas da região. Esta uva é a que mais se exporta e está presente em diferentes estilos e etiquetas da bodega. Também se faz presente o Malbec, sempre ele (risos), que ao lado do Pinot são as únicas castas da exclusiva linha Barrel Fermented, que como o nome diz, se faz uma rápida maceração carbônica para em seguida fermentar o mosto em barris de madeira e depois guardá-lo por 8 meses. O resultado é um vinho leve, refrescante, frutado e suculento. Eu trouxe para casa um de cada. Cada vez prefiro vinhos assim, delicados, de boa acidez, que não precisam ser acompanhados por uma refeição. E falando em comida, a nossa visita não terminou na sala de degustação:

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Impressionante vista para os vinhedos no restaurante da bodega

Tivemos um almoço no maravilhoso restaurante Saurus, que elabora pratos de cozinha de autor adaptada aos ingredientes regionais e estacionais.

Para a entrada, truta marinada e defumada com mousse de queijo de cabra, cítricos e terra de olivas acompanhando o Chardonnay.

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Para o prato principal, cordeiro, purê de batatas, amêndoas e cebola, com cogumelos e pêra. No meu caso, que não como carne, um risotto de cogumelos colhidos no mesmo dia com azeite trufado, folhas frescas da horta e flores comestíveis. Para maridar com o clássico Saurus Malbec.

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E a sobremesa, tão fotogênica, era uma mini degustação de doces elaborados a partir dos vinhos Schroeder: gelatina de Malbec, pêra ao torrontés, sorvete de Deseado e mousse de blend de vinhos tintos. Para tomar com o própio Deseado, o famoso espumante doce da casa.

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Uma delícia!

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FInalizamos a visita com uma caminhada pelos vinhedos

A bodega Schroeder tem ótima estrutura para receber visitas e oferece interessantes atividades como podar uvas de junho a agosto, participar da colheita de janeiro a abril, além do resturante que é aberto ao público e das degustações. Para mais informações, este é o site. Finalmente, deixo meu agradecimiento ao enólogo Mariano Diletti Brovedani e a Florencia que nos receberam com atenção e simpatia.

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