A imensidão do Fin del Mundo e a sedutora Malma

Também em São Patricio del Chañar, na provincia de Neuquén, visitamos a gigante patagônica Fin del Mundo e a bodega Malma, antiga “NQN”, que hoje pertence ao mesmo grupo familiar.

Sobre a primeira, que está entre as maiores da Argentina, os números impressionam tanto quanto as dimensões: são mais de 850 hectares, 8 milhões de litros por colheita, 2000 barricas, 290 tanques inox, mais de 100 piscinas de cimento… É uma verdadeira planta industrial:

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Horizonte sem fim de tanques

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Piscinas de cimento

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Os vinhos prontos para distribuição

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A vista

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As etiquetas Ventus, La Poderosa e Fin.

A segunda parte da visita foi na Bodega Malma, sua vizinha de dimensões bem menores, já que os estilos de vinhos e objetivos de cada uma são diferentes. A Fin del Mundo de um modo geral se direciona para um consumidor mais tradicional, que quer encontrar aromas clássicos de fruta madura e madeira, para isso utiliza os polêmicos chips e duelas que adicionam estas notas aromáticas ao vinho, deixando a barrica apenas para linhas de alta gama.

Na Malma, que significa “orgulho” em mapuche (povo originário daquela área), é outra história, há uma orientação ao perfil de vinho mais atual de fruta fresca e acidez marcada, com madeira discreta e menos invasiva, que resulta em um produto delicado, sedutor e elegante. Sérgio Pomar, enólogo da bodega, que conta com assessoria de Roberto de la Motta, nos contou que divide em três finalidades o uso da madeira:

1- Técnico: para fermentar, antioxidar, copigmentar; não adiciona aromas ao vinho.

2- Organoléptico: para levar aromas ao vinho, sabor, complexidade (os chips e duelas só funcionam para este aspecto, por isso muitas vezes é rejeitado por bodegas e consumidores, uma vez que não ocorrem os benefícios do processo de evolução).

3- Evoluir: quando falamos, por exemplo, que um vinho ficou 12 meses em madeira. As uvas direcionadas para alta gama vêm de plantas com baixo rendimento (cada planta rende uma garrafa, enquanto plantas direcionadas para baixa gama rendem três ou quatro), portanto chegam à bodega com a pele concentrada em tânicos e antioxidantes que precisam ser suavizados e estabilizados (a grosso modo, as moléculas do vinho se unem em um processo chamado polimerização graças a mínima exposição ao oxigênio que o barril permite), deste modo os tânicos se amaciam, o vinho se torna redondo, mais amável, sedoso. Caso contrário seria rústico, desequilibrado, demasiado adstringente.

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O enólogo Sergio Pomar

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Adorei este Malbec: textura sedosa, volumoso, acidez marcada.

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Culminamos a visita com um almoço delicioso

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Um luxo a varanda da bodega Malma, com vista incrível, bucólica, não poderia ser melhor!

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Caminhada para observar as plantas, sentir a terra, o sol, e efetivamente compreender  o vinho

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Assim terminamos mais uma tarde conhecendo as bodegas, a geografia e a idiossincrasia do norte da Patagônia. O vinho é um produto vivo e deixa sua marca em experiências que vão além do sensorial – a prazerosa tarde na bodega Malma junto aos enólogos me marcou neste aspecto dos encontros, do coletivo, de estar atenta não só ao ambiente que deu origem ao vinho, mas também ao seu destino final. Como estudante de sommellerie, me forçou a dar uma pausa nas fotos, gravações e anotações para poder contemplar este novo espaço que se abria na minha vida: a experiência de sentar e curtir a vista das plantações sem pressa, degustar os vinhos e espumantes da Patagônia junto aos enólogos de uma das bodegas mais importantes do país e simplesmente desfrutar aquele momento que o vinho me proporcionou (e pensar em tantos que ainda estão por vir)…

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Bodega Malma

Muitíssimo obrigada a Sergio Pomar e às bodegas Fin del Mundo e Malma por nos receberem com tanta atenção e disposição. Ambas estão abertas para visitantes e têm variedade de propostas turísticas, que incluem podar as uvas, participar das colheitas e, claro, degustar os vinhos!

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